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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A útima crônica



A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.


Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.


O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.


São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.


Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."

 fernando veríssimo.





esse texto do Veríssimo caiu na minha prova da Cefet,eu gostei do texto,gostei da pureza,gostei do modo da escrita,procurei e agora estou compartilhando com vocês! espero que também gostem..  

terça-feira, 12 de outubro de 2010

pq sempre é assim
não entendo como isso pode acontecer tão rapidamente a ponto de não deixar eu me adaptar e tão estranho que eu mesma não consigo entender
e as pessoas ao meu redor não me entendem e me compreendem mal..e me tratam de uma forma diferente
e isso me faz sentir assim

domingo, 10 de outubro de 2010

A dor

                                                
   As lagrimas sempre encorrem-me pelo rosto e mais uma vez estou presenciando esse ato previsível de minha vida.
 Agora deparo-me com uma pergunta sem noção:porquê que estou a chorar?
a realidade é que não faço a mínima idéia,apenas sinto a  infelicidade dentro de mim.
 Tenho apetite de GRITAR,CHORAR,FUGIR da realidade e até por mais ridículo que seje de MORRER.
 Fazer tudo isso sem saber exatamente o motivo,saber quem me ama,quem me odeia.
 Mais pra que e por quê????

Sinto uma dor no peito que todos os dias escondo, para me sentir melhor e para não preocupar as pessoas que gostam-me..pra falar a verdade a dor não desaparece!!!!       Talvez iludir-me que ela não exista seja pior.!

 E se um dia me fizerem tal pergunta: Ela vai desaparecer??
responderei:Tudo que aparece,tem que desaparecer..Assim tem que ser!

Broken



Queria que você soubesse que adoro o jeito que você sorrir
Quero te abraçar bem forte e levar sua dor pra bem longe
Eu guardo a sua fotografia,e eu sei que ela me faz bem
Quero te abraçar bem forte e roubar sua dor.

Porque eu fico em pedaços quando estou solitário e eu não me sinto bem quando você vai embora

você se foi pra longe...Você não me sente aqui, não mais...o pior está terminando e nós podemos respirar de novo
quero te abraçar bem forte,você manda minha dor longe.

Há muita coisa restou para aprender,e ninguém restou para lutar
Eu quero te abraçar e roubar sua dor

Porque eu fico quebrado quando estou exposto
e eu não me sinto como se eu fosse forte o bastante
Porque fico quebrado quando estou Solitário
e eu não me sinto bem quando você vai embora!!!


Evanescence

AH,minha negrinha!






Ôh,Como Sinto falta de você!
não sei por que isso foi acontecer
desculpe te dizer isso mas, era tão boa nossa inocência
de como agente se divertia com um simples papel de bala
ou quando agente falava errado,tropeçava,pagava mico
roubava o mercado..deixa em off isso.
A adrenalina correndo no sangue
quando você me chamava de vaca, jogando queimado
e quando te chamavam de groselha e você ficava com raiva e eu também
e quando você foi para o Maranhão, e meu mundo caiu,perdi meu chão!
e quando você voltou!! ^^ Haha..
nem sei te explicar...
Mas eu sei que se eu pudesse voltar e repetir tudo isso, iria repetir, sem nenhuma dúvida,e aproveitaria mais, o tempo com vocês.
e quando eu segurava suas velas,mentiamos pra sua avó
e eu levava o esporro.(quase sempre)
E quando sua avó achou que eramos lesbicas porque te mandei uma cartinha e nela dizia que eu sentia GOZO em estar com você.rsrs
tenho saudades de nossas discussões
e em pensar que tudo isso mudou..porque vc agora cresceu?!! você mudou!se tornou A "mulher"
eu devia saber que um dia isso aconteceria
mas não soube e ainda não quero saber
sinto muita falta sua
e nem sei porque estou escrevendo isso pra você

Adorava o seu modo de falar banana, Muriçoca,porque,etc..
e de como me chamava de burra
e quando colava na prova e não me ajudava(rs)
e quando eu te zuava de Negrinha e você não gostava!
E os ciúmes que eu sentia de você com a Lucienne..rsrs
sinto saudades Da Minha antiga negrinha
Eu sei que meu coração ainda tem lembraças da velha criança que eu amava demais,e era incrível como você tinha controle sobre mim garota,você me encorajava de uma forma diferente,me deixando com raiva..mais eu consiguia fazer!você me dava forças!Sempre me dava.

Lembro-me, no dia do seu aniversário,eu tinha um dinheirinho guardado e gastamos tudo na Praça! naquele parque onde ficávamos gritando naquela barca e o dinheiro acabou..e tivemos que apelar!ai fomos até o Emerson pedir pra ele pagar e ele não quis,depois até o Thiago que estava afim de ficar comigo,e pedi pra ele pagar para nós irmos mais, naquela barca,que nem estava nos assustando mais,e ele com todo o interesse pagou e foi com agente.rsrs cheio de medo quase se borrou e quase quebrou o ferro da barca,e lá em cima,na barca ele tentou ficar comigo e eu o dispensei..rsrs.nossa,ele disse que ia pegar mais dinheiro,e agente disse tá bom estaremos te esperando e quando ele virou as costas, metemos o pé daquele lugar..

como eu sinto saudades de sentir medo,de correr,de me machucar...de sermos a velha criança que eramos!
e nas nossas cartinhas trocadas sempre diziamos: amigas para sempre..Sinceramente,pensei que o sempre durava mais tempo.!!
tchau!já disse demais!!





mensagem digitada por: Thais Cristina
para: uma pessoa especial..
enviada pelo MSN para ela.
resposta: nenhuma,nada foi respondido!