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sábado, 27 de novembro de 2010

Apetece-me abrir

  
   Quero escrever o que não consigo dizer, Apetece-me abrir, como um livro em branco e a cada palavra uma emoção. Um significado, um pedaço de ficção tornado-o real.
   Sinto-me a desfalecer, como um sobrevivente num barco no meio de uma tempestade, onde sabe que só um milagre o fará sobreviver.
     Porque sou assim? Porque não consigo controlar-me? tento sempre algo com medo das pessoas não gostem mim. Não quis sofrer mais, por isso decidi afastar-me de toda a gente. Agora em vez de um coração tenho quase uma pedra. Difícil será pedir ajuda, porque fujo de tudo e de todos. Não enfrento os meus medos. Sempre a fugir, mas os problemas não desaparecem, apenas adormecem num sono leve.
    Continuamente dormindo, até um dia que acordar, Mais furioso, que um bebé com sono e fome. Será que um dia vou acordar para a vida? Será que algum dia, vou deixar de fugir?. De não precisar me esconder por detrás duma máscara. Algum dia terei paz comigo mesmo!! O que Procuro? Escondo-me do que? Do sofrimento?!! Mas senão sofrer, não viverei, ficará sempre a angústia de poder ter feito algo a mais, ser capaz de ter feito outra coisa para  mudar. Então o que me falta? Não sei, não me conheço, e muito menos sei quem fui, sou ou serei. Sou uma sentimentalista barata,  Devo ser mesmo uma criancinha, não amadureci o suficiente. Não cresci em termos mentais,Ou então cresci Demais, Se calhar não vivo, sobrevivo. Vou sobrevivendo, não questionando, não esticando a corda. Se calhar limito-me a seguir as pesadas dos outros. Em vez de ter uma personalidade própria. Se calhar também por ter mentido, muito a mim próprio agora já não sei quem sou. Perdi-me no caminho, e agora não sei o caminho de volta. Um circulo vicioso, onde já não se sabe onde começou e onde acaba. Ainda terei a tempo, de me encaminhar e não me perder de vez?
Alguém saberá me dar essa resposta e tantas outras que eu não sei. Talvez não tenha procurado bem, ou não tenho procurado nos timbres e risos certos. O lamentar não me ajuda em nada, só faz com que tenha pena do que estou a ser neste momento. O frio passou, o frio que tinha quando comecei a escrever, mas o gelo dentro de mim, a angústia, a tristeza, o sofrimento continua. Não há alegria nos meus olhos, como num dia cinzento onde só chove. Em que a minha cara são as gotas, que caíram nesse dia de temporal. Onde o sol se escondeu, tornou-se cinzento, carregado. Não há cores vivas, mas sim cores mórbidas. Algum dia terei gostado de alguém realmente?Claro, apesar de tudo, não sou assim tão frio. Da minha família, dos meus verdadeiros amigos, desses gostei. Então quando deixei de me interessar na vida? Quando passei a sobreviver, como um náufrago onde só vejo mar e mar e mais mar. Mas acredito que sobreviverei, mas já não tenho a certeza de nada!!

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